Publicado por: Marcos Palacios | outubro 25, 2008

E se o mapa mais antigo que se conhece não for um mapa?


O mapa das ruas da cidade de Çatalhöyük, na região turca da Anatólia, foi desenhado em 6200 A.C.  É considerado uma das provas de que “os humanos sempre usaram mapas”. Encontrado como parte de pinturas em uma parede, nas escavações de uma casa nas ruínas da cidade turca, é considerado 2000 anos mais antigo do que o mais antigo sistema de escrita e 4000 mais antigo do que o mais antigo sistema alfabético. O mapa chega à perfeição de situar um vulcão em erupção, ao norte das casas de Çatalhöyük que supostamente representa.

Supostamente? 

Pois é… Como sempre surge alguém para contrariar teses que parecem bem estabelecidas, a arqueóloga Stephanie Meece, em seu artigo “A Bird’s Eye View – Of A Leopard’s Spots: The Çatalhöyük ‘Map’ and the Development of Cartographic Representation in Prehistory” (publicado no Anatolian Studies 56, 2006, pp. 1-16; texto integral aqui) coloca toda essa história em dúvida e sugere que o “mapa de Çatalhöyük” é algo muito mais simples e menos espetacular que o avô de todos os mapas: seria apenas um padrão decorativo, similar a outros que podem ser encontrados nas fachadas das casas da antiga  cidade. A junção do desenho do vulcão com a barra decorativa e a interpretação do conjunto como um “mapa” seria apenas produto de um “modo de olhar”.

Será que o mais antigo dos mapas é apenas uma consequência da nossa “cartocacoete”, a mania de enxergarmos mapas onde eles não existem? Algo similar à tendência que têm alguns místicos e fanáticos de visualizarem imagens de Nossa Senhora em escamas de peixe e batatas fritas, ou Cristos Crucificados em pinturas descascadas ou constelações austrais?  Cá entre nós, para minha “imaginação brasileira”, o padrão decorativo poderia até ser interpretado como um “jacaré“, com a boca para o lado esquerdo do desenho e a cauda para a direita. Juntando o vulcão na cabeça do bicho, teríamos “um jacaré de chapéu”…

Uma discussão completa do caso Çatalhöyük pode ser encontrada no excelente Making Maps: DIY Cartoghraphy, com abundante informação sobre a história e muitas imagens de antigos mapas, reais e imaginários.

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Responses

  1. Hahahahaha!!!
    Professor,
    realmente parece um jacaré de chapéu! (risos)


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